{"id":1383,"date":"2020-06-01T05:01:59","date_gmt":"2020-06-01T05:01:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sanchestonini.com.br\/website\/?p=1383"},"modified":"2020-06-01T05:11:40","modified_gmt":"2020-06-01T05:11:40","slug":"socios-dividas-da-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sanchestonini.com.br\/website\/socios-dividas-da-sociedade\/","title":{"rendered":"Boletim Informativo #10"},"content":{"rendered":"<h2><span style=\"color: #33cccc;\">Responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal dos s\u00f3cios por d\u00edvidas da sociedade.<\/span><\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4>Fique por dentro das mudan\u00e7as que a Lei de Liberdade Econ\u00f4mica (Lei n\u00ba 13.874\/2019) promove na desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica.<\/h4>\n<h4><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>A <strong>Lei<\/strong> de <strong>Liberdade Econ\u00f4mica<\/strong> (Lei n\u00ba 13.874\/2019) foi criada para diminuir a burocracia, entre as principais altera\u00e7\u00f5es est\u00e1 a <strong>desconsidera\u00e7\u00e3o de personalidade jur\u00eddica<\/strong>.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao artigo 50 do C\u00f3digo Civil, a reda\u00e7\u00e3o original estabelecia genericamente que o abuso da personalidade jur\u00eddica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou confus\u00e3o patrimonial, autorizaria a <strong>desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica<\/strong> para atingir o patrim\u00f4nio dos s\u00f3cios ou administradores da pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n<p>A nova reda\u00e7\u00e3o do artigo 50, trazida pela Lei n\u00ba 13.874\/19, enrijeceu as hip\u00f3teses de <strong>desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica<\/strong>. Entre as altera\u00e7\u00f5es promovidas, destaca-se a possibilidade de desconsiderar a personalidade jur\u00eddica somente do s\u00f3cio ou administrador que tenha se beneficiado, ainda que indiretamente, do abuso. Tamb\u00e9m foram inseridos par\u00e1grafos no artigo 50 que disciplinam os requisitos alternativos a serem preenchidos para que seja autorizada a <strong>desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica.<\/strong><\/p>\n<p>O requisito do desvio de finalidade estar\u00e1 preenchido quando a pessoa jur\u00eddica for utilizada com o prop\u00f3sito de lesar credores e para a pr\u00e1tica de atos il\u00edcitos de qualquer natureza. Na reda\u00e7\u00e3o original da MP, constava a express\u00e3o \u201cdolosa\u201d, ou seja, apenas estaria caracterizado o desvio de finalidade quando presente o elemento doloso ou intencional na pr\u00e1tica da les\u00e3o. Contudo, o termo foi suprimido da reda\u00e7\u00e3o final da lei.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES SOBRE PAR\u00c1GRAFO 5\u00ba<\/strong><\/h4>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o ao requisito da confus\u00e3o patrimonial, o \u00a75\u00ba estabelece que \u201ca mera expans\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o da finalidade original da atividade econ\u00f4mica\u201d n\u00e3o configura desvio de finalidade para fins de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica.<\/p>\n<p>A <strong>Lei de Liberdade Econ\u00f4mica<\/strong> (Lei n\u00ba 13.874\/2019) esclarece que a confus\u00e3o patrimonial \u00e9 a aus\u00eancia de separa\u00e7\u00e3o de fato entre os patrim\u00f4nios e estar\u00e1 caracterizada por: cumprimento repetitivo pela sociedade de obriga\u00e7\u00f5es do s\u00f3cio ou do administrador ou vice-versa; transfer\u00eancia de ativos ou de passivos sem efetivas contrapresta\u00e7\u00f5es, exceto os de valor proporcionalmente insignificante; e outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES SOBRE O PAR\u00c1GRAFO 3\u00ba<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h4>\n<p>No par\u00e1grafo terceiro da nova reda\u00e7\u00e3o da lei de <strong>liberdade econ\u00f4mica<\/strong> no artigo 50, acolheu-se a desconsidera\u00e7\u00e3o inversa ou invertida, o que significa ir ao patrim\u00f4nio da pessoa jur\u00eddica, quando a pessoa f\u00edsica que a comp\u00f5e esvazia fraudulentamente o seu patrim\u00f4nio pessoal.<\/p>\n<p>Trata-se de uma vis\u00e3o desenvolvida notadamente nas rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia, de forma original, em que se visualiza, com frequ\u00eancia, a pr\u00e1tica de algum dos c\u00f4njuges ou companheiros que, antecipando-se ao div\u00f3rcio ou \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o da uni\u00e3o est\u00e1vel, retira do patrim\u00f4nio do casal bens que deveriam ser objeto de partilha, incorporando-os na pessoa jur\u00eddica da qual \u00e9 s\u00f3cio, diminuindo, com isso, o quinh\u00e3o do outro consorte.<\/p>\n<p>Nesta hip\u00f3tese, pode-se vislumbrar a possibilidade de o magistrado desconsiderar a autonomia patrimonial da pessoa jur\u00eddica, buscando bens que est\u00e3o em seu pr\u00f3prio nome, para responder por d\u00edvidas que n\u00e3o s\u00e3o suas e sim de seus s\u00f3cios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES SOBRE O PAR\u00c1GRAFO 4\u00ba<\/strong><\/h4>\n<p>Outra altera\u00e7\u00e3o relevante est\u00e1 contida no \u00a74\u00ba da nova reda\u00e7\u00e3o do artigo 50. Tal dispositivo estabelece expressamente que a mera exist\u00eancia de grupo econ\u00f4mico n\u00e3o autoriza a <strong>desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade da pessoa jur\u00eddica<\/strong> para atingir o patrim\u00f4nio de sociedades controladoras ou coligadas. O artigo em quest\u00e3o formaliza o entendimento de que, mesmo nas hip\u00f3teses envolvendo grupo econ\u00f4mico, \u00e9 necess\u00e1rio demonstrar os requisitos, seja de desvio de finalidade ou de confus\u00e3o patrimonial entre as empresas.<\/p>\n<p>Ainda que \u00f3bvia a premissa de que a pessoa jur\u00eddica n\u00e3o se confunde com o grupo econ\u00f4mico, existem julgados que admitem a flexibiliza\u00e7\u00e3o indevida do instituto da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica. Para isso, eles consideram que a exist\u00eancia do grupo econ\u00f4mico gera a presun\u00e7\u00e3o de preenchimento do requisito da confus\u00e3o patrimonial, sobretudo quando uma das empresas est\u00e1 em recupera\u00e7\u00e3o judicial ou situa\u00e7\u00e3o de insolv\u00eancia, ou ainda no caso de empresas familiares.<\/p>\n<p>O fato de a nova reda\u00e7\u00e3o da <strong>lei de liberdade econ\u00f4mica<\/strong> deixar claro que a exist\u00eancia de um grupo econ\u00f4mico, por si s\u00f3, n\u00e3o autoriza a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica inviabilizar\u00e1 os abusos cometidos a partir da flexibiliza\u00e7\u00e3o indevida do instituto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h4>\n<p>Dessa forma, as altera\u00e7\u00f5es trazidas pela nova <strong>lei de liberdade econ\u00f4mica<\/strong> em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica ao mesmo tempo em que privilegiam a autonomia patrimonial das empresas, tornam as hip\u00f3teses de aplica\u00e7\u00e3o do incidente mais restritas, o que \u00e9 positivo, uma vez que a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica deve ser excepcional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ang\u00e9lica dos Reis Carvalho \u2013 Advogada OAB\/SP 396.203<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Responsabiliza\u00e7\u00e3o pessoal dos s\u00f3cios por d\u00edvidas da sociedade. \u00a0 Fique por dentro das mudan\u00e7as que a Lei de Liberdade Econ\u00f4mica (Lei n\u00ba 13.874\/2019) promove na desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica. \u00a0 A Lei de Liberdade Econ\u00f4mica (Lei n\u00ba 13.874\/2019) foi criada para diminuir a burocracia, entre as principais altera\u00e7\u00f5es est\u00e1 a desconsidera\u00e7\u00e3o de personalidade jur\u00eddica. 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